SOBRE O ASSASSINATO DE REPUTAÇÃO DE SÃO JOÃO PAULO II E A KGB 
"Diversas investigações apontaram para os soviéticos, mas o Kremlin se esquivou da maioria das acusações de tentativa de assassinato, e assim decidiu tomar outra rota para alcançar o Papa. Dessa vez, se voltou por uma operação desinformacionista não muito distante do esforço anterior de enquadrar Pio XII com uma falsificação histórica. No seu livro 'O fim e o começo: Papa João Paulo II – A vitória da liberdade, os últimos anos, o legado', o autor George Weigel se debruçou sobre arquivos abertos recentemente, que pertenciam a departamentos de inteligência de países comunistas, e revelou uma história fascinante sobre a tentativa de sujar a reputação do novo papa. Valendo-se de seus especialistas em contrafação, em 1983, agentes de inteligência poloneses arquitetaram um diário falsificado supostamente escrito por uma ex-amante do Cardeal Wojtyla. Eles usaram a identidade de uma mulher que ele teria conhecido, mas que agora, é claro, estava morta. O plano era deixar o diário escondido em um apartamento no qual seria encontrado durante uma batida policial. Repórteres ocidentais o tomariam por legítimo e o divulgariam dessa forma. Como veio a se descobrir, no entanto, o agente designado para plantar o diário falso ficou bêbado e se envolveu em um acidente de carro. Num esforço para evitar prisão e detenção, explicou quem ele era e expôs o plano. Imagina-se o que teria acontecido se a credibilidade do Papa tivesse sido atingida no começo do seu pontificado por um esquema de desinformação como esse. É claro, um diário falso era apenas uma variação de 'O Vigário' e sua seção Adendos Históricos (sobre Pio XII)".
PACEPA, Ion Mihai & RYCHLAK, Ronald, Desinformação, Vide Editorial, São Paulo: 2015, p. 248.